quinta-feira, 23 de maio de 2013

Quatro pontos de nós

 
Durante a noite eu tive diversos momentos de você, tinha você sorrindo, você cantando, você me beijando, você sobre mim, dentro de mim, você com o cabelo ora arrumado ora bagunçado, cheirava e respirava forte, as vezes dormia e as vezes zangava, eram tantos seus presentes e contentes que o meu eu confundiu a hora de acreditar.
Parecia algazarra organizada, era você chegando de mansinho e outros dois seus fazendo barulho, só pra tirar a atenção de todos os outros meus que protestavam que era hora de parar. Existiam tantos meus contra os seus que mais parecia guerrilha, engraçado é que mais se via eu lutando pra não acreditar em você do que você se esforçando um mínimo pra me convencer.
Eu acho que cheguei até a confundir um dos seus com os meus, por conta disso eu quase te perturbei, mas eu fui mais forte, peguei os meus de frente aos seus e os fiz observar todos os seus movimentos, de todos os lados, para todos os gostos, os meus tem que saber exatamente o que os seus já não são mais, temos que acreditar.
Os seus riram e continuaram seduzindo, se divertindo da forma como os meus se controlavam, incontroláveis. Os meus não se entregaram aos seus, e até depois de parecer que o perigo havia passado, eles continuaram firmes em ambos papeis, os meus e seus.

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