terça-feira, 21 de maio de 2013

Oliver


Depois que Oliver amou pela primeira vez, ele tentou se abster de tal sentimento, ele tentou de várias formas excluir a sensação de dependência afetiva que ele sentia em sua vida, ele jurou que jamais amaria outra pessoa, ele realmente tentou.
Depois que teve seu coração partido, ele fez tudo que se pode imaginar para reconquistar aquilo que parecia ser a unica coisa que fazia sentido, o amor. Primeiro ele tentou dizer a si mesmo o que estava errado, tentou arrumar a casa por dentro e já ciente dos seus erros ele foi a luta, pediu, prometeu, provou, implorou e apenas a dor vinha como recompensa, nada parecia dar certo, nem as cartas escritas a mão, nem a declaração gravada ou os chocolates comprados davam resultado, Oliver provou não só para sua amada, mas para todos que acompanhavam aquela novela que o seu sentimento era verdadeiro, mas no fim, nada adiantou.
Oliver sofreu, chorou, rezou, prometeu e nada ou ninguem o ouvia, e se existe uma entidade divina, naquele momento Oliver sentiu que havia sido abandonado.
Depois de muito humilhado, doado, usado e desprezado, Oliver se virou contra o amor, decidiu que faria da sua vida a mais insensível possível, e ele ficou com duas, três e várias Marias nas portas das boates, diversas Anas em quartos de moteis, e outras muitas Joanas em salas de bate papo, mas aquele vazio ainda estava lá, ele não sabia dizer se era o sentimento de uso que ele sentia após as transas, ou o sentimento de falta que ele sentia do amor que ele fazia com sua amada, e das risadas ao fim do orgasmo, e do toque único e sincero, coisa que ele jamais tentou encontrar novamente.
Oliver nunca mais foi o mesmo, ele acreditava que só se amava uma vez na vida, se desse certo ele passaria o resto de sua vida ao lado da sua eterna amada, se desse errado, bom, não preciso dizer o que aconteceria se desse errado.
Oliver ainda acreditava no destino, e tinha plena fé que um dia ele reencontraria sua amada em uma cafeteria qualquer, que os dois retomariam suas ligações e finalmente já machucados pelas lições da vida, valorizariam os seus sentimentos. Oliver ainda carregava a inocência de um apaixonado.
Nada aconteceu, Oliver cansou das inúmeras em sua cama, e um dia conheceu uma outra mulher, não era a sua amada, nunca seria, e depois de tanto tempo ele nem queria que fosse, mas ele decidiu tentar mais uma vez, e quando os dois começaram a namorar, Oliver a fez a mulher mais feliz do mundo, mas todo dia, não mais toda hora, e nem mais por tudo, mas todo dia, em algum momento, ele via o sorriso de sua amada nas lembranças, e quando ele sentia o peito dilacerar, ele fechava os olhos e dizia para si mesmo “Acabou”.

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