Eu não consigo deixar você ir embora, eu não posso deixar parte da
minha vida para trás, não você, não a gente. E eu sempre volto a
escrever pra nós dois, eu sempre ouço a música dos nossos momentos,
sempre procuro por você, porque minha vida é essa agora, esperar que
você se canse dos outros mais uma vez, se sinta carente por mais uma
noite, noite em que eu passarei ao seu lado.
Eu deveria ter medo das noites em que passo sozinho, mas eu só
consigo pensar em quando estou com você. Esse sentimento não muda,
aumenta sempre, e eu não menti quando disse que ainda amo você mais tive
que seguir a vida por que me forçaram a isso.
Eu seguirei você por onde for preciso, segurarei tua mão até quando
outro quiser segura-la, porque eu sou assim, feito de amor, amor por
você.
Até que você perceba a bagunça que está aqui nesse quarto, os
sentimentos misturados com terceiros que não tem nada haver com nossas
roupas jogadas ao chão, são nossos aqueles beijos antes de dormir, e por
mais que os entreguemos a outros, esses mesmos beijos ainda serão
sempre nossos, porque não existe alguém que saiba nos amar como sabemos,
e não há escola que ensine carinhos assim, criamos isso e alimentamos a
cada carência declarada.
E o tempo não passa quando os dias correm, parece que ele parou, por
que tudo que já deveria ter ido com os meses percorridos ainda se fazem
presentes nas nossas, ou apenas nas minhas lembranças.
Eu me questiono se você sente o mesmo, se realmente já ama outro, mas
seus olhos me dizem que não, que você ainda está aqui, principalmente
quando me dá um abraço de saudade, sente meu cheiro e diz que sempre
gostou dele. Nós fomos feitos e destinados um ao outro, por que não é só
quando estamos juntos que eu percebo tal afirmação, é principalmente
quando estamos longe, quando sentimos a falta de tudo, falta que matamos
no meio da bagunça dos nossos sentimentos.
É uma bagunça que eu não pretendo arrumar, eu posso passar o resto
dos meus dias vivendo isso, mas sei que é impossível e que um dia um de
nós irá embora, matando o outro por dentro, e desde ontem eu tenho a
ligeira impressão que será eu quem irá morrer de amor.
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