segunda-feira, 11 de abril de 2016

O que restará de nós



Coube a mim te dizer que a tua cor é bela e o teu emblema é o que eu nego em trazer rotineiramente, afinal, a tua voz já me inebria durante as madrugadas perdidas.
Talvez você devesse ficar mais um pouco, porque ambos sabemos que não permanecerá para sempre. E o "sempre" não existe.
E se for eu quem estiver de passagem, você terá de se apressar em demorar os minutos, torná-los infinitos. No fim é o infinito que sobrevive a todos os tempos e o que restará de nós são as partículas da matéria escura que permaneceram viventes no espaço que nossos corpos tomarem para se distanciar.
A única certeza que levo é a de que hoje nos teus braços quero me firmar como rocha em praia, afundada na areia, desgastando o limo, renovando as gerações e escrevendo a história.