segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sobre o fim


O fim começa no segundo após o início.
Quando o momento "antes" deixa de ser o "agora",
quando os olhos se desencontram pela primeira vez,
quando o "Oi" é dito,
quando o coração pulsa e expulsa o sangue,
quando a inspiração expira,
quando o primeiro toque é o das mãos,
quando os corpos explodem o primeiro gozo,
quando os créditos sobem ao término do primeiro filme,
quando entardece após aquela mensagem de bom dia,
quando a ultima nota é cantada,
quando o sorriso desfaz as covinhas,
quando a lágrima embaça a visão,
quando o eu te amo se cala,
quando o amor não é mais suficiente.
Após...
O início começa no segundo após o fim

sábado, 7 de dezembro de 2013

Aquele machucado


Qualquer machucado 
sangra
doi
e
estanca

Mas eu arranco a casca eu fuço a ferida
e aguardo o vermelho
na verdade
eu não deixo cicatrizar
marcas pra me lembrar de algo sarado?
não, baby

Eu prefiro a dor pra me lembrar
por isso não me permito sarar
e eu deixo
sangra
doi
e
estanca

Mas eu deixo inflamar, deixo como está
porque isso foi o que me restou
Quando me quebrei, e tudo sangrou
a dor foi apenas o que ficou
ninguém se lembra de algo esquecido

Eu prefiro a dor pra me lembrar
por isso não me permito sarar
e deixo
sangra
doi
estanca

por isso não me permito sarar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Corações verdes


O que são corações verdes?
Sem que tenham o sangue correndo em suas veias,
sem que pulsem por estímulos fisiológicos,
sem que parem por falta de vida.

O que são corações verdes?
Sem que se liguem em todos os outros órgãos vitais,
sem que abasteçam a necessidade humana de viver,
sem que seja um eterno ciclo sem fim.

Corações verdes
são sorrisos bobos no inicio da noite,
são arritmias não corporais,
são motivos de levantar e viver com o eterno brilho no olhar

Corações verdes
são eternas viagens no subconsciente da emoção,
são abstratos físicos, sentidos aflorados e afogados,
são esperanças de um futuro com o céu azul.

sábado, 26 de outubro de 2013

O cuco das três horas


As vezes as palavras me confundem, eu sinto tudo parecer o mesmo, mas os rostos novos e a multidão ainda está presente nos dias de chuva, como fazem pra não se molhar? Por que eu estou ensopado agora, assim como estava ontem.
É uma jornada por um dia de sol, onde a pele arde e bronzeia na velocidade das vontade, em um segundo tudo tomou o contraste exagerado que deveria ter, e eu escuto uma musica que fale de você, mas que evite citar seu nome, fica omitido entre as linhas que formam a história de amor mais bagunçada que alguém já escreveu. A culpa deve ser a falta de amor, um conto de ausência sentimental.
Me faça entender o motivo de tantos motivos, de tanto querer e nada poder, e poder fugir sem olhar pra trás, me traga de volta o motivo do sol e da chuva, e tantos climas expostos na janela do quarto, me diga quando devo parar, ou se devo recomeçar.
É que faz mais sentindo estar estagnado na omissão dos sentimentos, sem ir e vir, apenas parado, porque eu sinto que o relógio não trouxe seu cuco quando marcou três horas, eu sinto que o dia não começou, eu sinto na verdade que nada terminou e que apenas esperou a hora certa. Como eu disse, as vezes as palavras me confundem.

domingo, 6 de outubro de 2013

Se eu pudesse voltar no tempo


Parece impossível, parece que não existe mais caminho, e realmente sentimos assim. Somos tão jovens, no entanto, fazemos parecer que o tempo já acabou, e tempo é algo que não volta nunca, mesmo.
Em certos momentos você se pergunta o que faria se pudesse voltar no tempo, e não há nada que se possa fazer, porque você está exatamente onde deveria estar, e suas ações te trouxeram as consequências de hoje. Não temos garantias nada, e aí fazemos das decisões algo tão supérfluo, e não nos damos conta de que erramos tentando acertar, e o erro não se concerta, está derramado e jamais será tudo de novo.
Se eu pudesse voltar no tempo, não digo que não teria conhecido pessoas que hoje eu tento esquecer, mas eu teria visto apenas o que estava lá, eu não teria pintado tudo de verde, eu teria sido mais humano e não um super herói. Eu não tenho poderes e muito menos direito sobre outras pessoas.
Mas a vida continua, e o tempo não para pra te esperar, você é que para no tempo, na esperança de atrasar o passado, quando o passado já passou e seu presente também.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Relatos de uma felicidade compartilhada


Felicidade: algo que buscamos incessantemente, de forma exaustiva e infinita. 
Está lá, todos os dias, entre o despertar e os sonhos, apenas precisamos parar de esperar, porque não existe a espera, não existe o momento em que a felicidade baterá em sua porta e ficará para sempre. Temos que agarrá-la em cada sorriso, em cada olhar, em cada abraço, em cada pessoa, em cada um de nós.
Tenho aprendido muito sobre a felicidade, e digo com toda certeza que ela está mais frequente em minha vida, porque eu compreendi que não serei feliz sempre e que quando sorriu faço desse sorriso meu mundo, e melhor ainda é quando faço alguém sorrir, esse sim é meu universo, minha vida.
E assim como a solidão é compartilhada, a felicidade também, porque ser feliz sozinho não existe, e esse é um sentimento que deve ser distribuído, afinal, eu preciso, você precisa, todos precisamos ser felizes.

Obrigado a todos, principalmente aqueles que fazem da minha vida a mais perfeita, mais completa e única, digna de um seriado. 

Friends and fuck you, Amo vocês.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Faz tempo


Faz tempo...
que eu não digo coisas impróprias
que eu não repito monólogos chorosos
que eu não escrevo palavras verdadeiras.

Faz tempo, eu sei.
Mas é que eu evito voltar a certos presentes, é complicado de explicar.
Deixa eu tentar...
Você ainda está aqui, nos meus pensamentos e principalmente nos meus sentimentos. Eu não excluí tudo de você, eu te carrego no olhar por todos os lugares, em todos os momentos. Eu tenho medo de te encontrar e confesso que sempre ao passar em frente ao seu trabalho eu abaixo a cabeça e limito a visão ao meu tênis surrado. E que sempre que entro em um ônibus eu evito olhar pras pessoas, porque eu tenho medo de achar os teus olhos em meio aquela multidão.
Eu sempre penso na possibilidade de te passar um sms de saudade, e por isso, eu preciso me lembrar dos motivos, frequentemente, a cada minuto. Antes que eu crie motivos pra voltar, antes que eu...
A cada dia que passa eu vejo um muro crescer, muro esse que me distancia mais ainda de você. No começo fazia mais sentindo te procurar, hoje a saudade já não é motivo suficiente. Seria ignorar noites em claro, lágrimas ao chão, o nó na garganta e a saudade dominada, se eu me rendesse a sua ausência, seria ignorar todo o trabalho que eu tive pra te esquecer.

Faz tempo...
que eu não me arrependo de algo que eu disse
que eu não me pego ensaiando falas pra te convencer
que eu não me entrego aos meus sentimentos

Faz tempo, eu sei.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O que eu não odeio em você


Eu tanto que te odeio, odeio mesmo, com intensidade de raiva, de ódio, sinto todas as camadas da minha pele, as dermes, britarem todo esse sentimento, o fazendo cair na corrente sanguínea como uma bactéria multirresistente, indo até meu coração, inflamando o músculo, uma pericardite de sentimentos no já enegrecido coração.
Eu odeio olhar pra você, principalmente em fotos, quando você estampa um sorriso de superioridade, que raiva eu tenho desse sorriso e seus dentes brilhantes e venenosos, viciantes lábios, saliva adocicada, e o encaixe? Ah como eu odeio o encaixe da sua boca na minha me fazendo desencaixar todas as outras, eu odeio sua boca.
Eu faria você sumir, não apenas hoje, mas o faria nunca ter existido, se pudesse, não apenas por mim, mas pelo ódio já captado por outros pobres e frágeis corações.
Eu acabo me trocando por você, tento penetrar em seus pensamentos e em seus sentimentos, e cara você não os tem, é impossível que os tenha, e eu acabo odiando ser tão sentimental tendo todos de uma vez. Eu no fundo odeio não ser você pra me ver afundar.
 Eu odeio todas as lembranças, tanto as da sua cama que me excitam e me fazem perder o tesão em camas de motéis, quanto das suas palavras ditas que ecoam em minha cabeça quando algum outro cara geme ao pé do meu ouvido.

"você é a pessoa mais especial da minha vida"
"nunca quero perder você"
"Eu não sei viver sem você"
"Eu te amo"

Eu odeio tanto sua voz adaptavelmente grossa, com medo de afinar, como quem desafina acordes e nada compõe.
Você não tem ideia do que eu passei pra te esquecer quase nada, e esse quase nada, mísero esquecimento de breves segundo soam como vitória pra mim. Eu odeio a saudade que você me traz nos dias corriqueiros em que passo te admirando num altar de memórias abstratas, eu odeio ter apenas seu abstrato.
Você não tem direito de me ligar, de me procurar, eu simplesmente odeio a sua falta de direitos sobre mim, a forma como me deixa solto e eu acabo fazendo burradas com uma garrafa de cerveja e uma carteira de cigarros, e outros caras, outras pernas, eu odeio as suas pernas, odeio a sua bunda e a forma como a tocava, ainda sinto os pelos, ainda sinto o desejo, ainda sinto seu membro, eu odeio sentir tudo por você.
Vá embora para sempre, me esqueça, me anule, me apague, você não tem intenção de ficar, não me peça pra implorar, meus joelhos doem, meu corpo dói, minha alma dói. E eu odeio a dor não física que agarra a garganta e aperta, que espremi as lágrimas que se confundem na água do chuveiro, correndo pelas minhas imperfeições no rosto, passando pela minha barba não feita, e eu odeio o fato de sempre ter que fazer a barba pra você.
Eu odeio o caminho da sua casa, o seu bairro, sua rua e as curvar, do corpo, do gosto, do sentimento, eu odeio as curvas dessa história.
Não volte, eu odeio ter que pedir isso, eu eu odeio ter que implorar que você não volte, eu já implorei tanto que ficasse, eu odeio sua indecisão.
Eu odeio...
Suas coisas, suas roupas...
E o perfume que te dei e você o usa com outros, no plural mesmo, de quem não se prende no singular, de quem não sabe valorizar.
Eu odeio tanto, tanto, tanto...
Eu odeio te amar tanto.

domingo, 11 de agosto de 2013

Sobre aquela conversa



Ultimamente tenho me encontrado num lugar onde posso me desprender de sentimentos, é uma tentativa de desligar o amor, desapegar do apego.
Sou obrigado a confessar que nem sempre é a melhor atitude pra se adotar na vida, uma vez que a vida é tão pouca pra ter pouco amor, ontem eu tinha 10 anos e acreditava em contos, hoje tenho 22 anos e tento desacreditar, ainda tento.
Um amigo me disse que pessoas como eu são essenciais pro equilíbrio do mundo, que o romance não pode morrer, eu concordo, mas discordo quando me questiono o porquê eu tenho que pagar um preço tão alto pra abalançar o universo.
Estou cansado, é como aqueles dias em que você trabalha tanto que seu corpo pede apenas por uma cama e o apagar do mundo, estou cansado e preciso apagar o mundo.
É bem verdade que eu sou romântico, isso faz parte de mim, se não fosse assim não seria eu, mas é preciso alimentar todo esse amor, atualmente eu só consigo alimentar meu fígado e meu pulmão.
Ainda há esperanças, mas agora eu vou descansar e esperar que alguém me prove que estou errado e que o amor não acabou nessa geração.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O molde par do meu abraço


Sabe aquele abraço apertado, sufocante que te protege do mundo, te mantêm seguro por breves segundos que se projetam por anos em seus passados rotineiros, é veneno mortal, igual ao beijo, tal qual o desejo.
Sinto a carência de abraços assim, é bem verdade que um abraço específico, em especial de uma pessoa cujo nome nunca me atreverei a citar, me traria o suprassumo da felicidade, mas a verdade também dita as regras tristonhas a que me submeto, nada de abraços verdadeiros.
Talvez eu sinta falta não só dos braços, e da pele na pele, dos pelos nos pelos, olhos instintivamente fechados, apenas sentindo o pulsar, o correr, imaginar sem tempo de pensar, apenas prazer em afagar. E também a falta do cheiro da epiderme quimicamente modificada pelo trabalho de um boticário, como já dizia o poeta - um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa.*, onde a identidade verdadeira nunca passa despercebida, é imutável, vicioso e perigoso, o cheiro do pescoço.
Talvez não seja só o momento em si que me faça falta, não só os minutos brevemente eternos em que os corpos se conectam por uma corrente de sentimentos feito magia. Segundos que são incontáveis, não pela falta de tempo, mas pela grandiosidade de seu conteúdo, é burrice cronometrar o tempo de um abraço e perder a insanidade de seu amplexo e todo o seu apreço.
Talvez não seja qualquer pessoa que me dê aquele abraço, é como se meu corpo fosse moldado de acordo com certos braços, nem fortes, nem magros, sem peito aparente, mamilo raso, barba falha, pele morena, traços indígenas, dedos em seu perfeito padrão, um pouco mais alto, sem muita química de perfume e mais cheiro de sabonete, de toalha. Essas são as características ideais do molde par do meu abraço, imperfeito em todo o seu compasso.
Mas talvez não seja tudo isso recém citado que me faça querer um abraço, a verdade está escrita no cansaço de me acalentar, de me fazer suficiente, de dar sorrisos hipócritas, de engolir as lágrimas, de ser sozinho e me fazer forte, de abraçar o travesseiro e imaginar todos os traços do molde par do meu abraço, de conversar com as paredes em monólogos de desabafo, repetindo diariamente que dos seus braços não mais sairão os meus abraços.

* Sem Ana, blues - Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O mesmo erro, outra vez


É um caminho com destino incerto, são escolhas sem garantias, é quase que falta de coragem se não fosse pela esperança de tentar. É um só erro cometido de duas a três vezes, voltar pro início de tudo e deixar a muralha cair, por você ou por mim, não exatamente por nós dois.
Você escolhe seguir e algo te obriga a voltar, você decide desistir e algo mais forte te pede pra ficar, é mais ou menos saudade injusta, justo quando não deveria ser.
São três coisas que eu não me permito mais acreditar, palavras, ações e sentimentos, ou seja, estou completamente incrédulo de tudo, mas a culpa não é minha, ou talvez até seja, mas é difícil confiar no abstrato, só que as vezes ele parece ser tão real.
Diante tantas vezes em que repeti sua voz, eu dou um conselho a quem quiser escutar "se importe menos com o que os outros não se importam, é um fardo muito grande pra carregar sozinho".

domingo, 28 de julho de 2013

A lua brilha


A lua brilha tão intensamente,
assim como quando você me olha,
eu me sinto seu de corpo e mente,
principalmente quando você me explora.

Enquanto a noite prossegue seu ritual,
meus sonhos me levam há um mundo de fantasias,
onde não existe dor nem tristezas,
apenas o amor como um guia.

Quando o dia amanhece, a luz do sol me irradia,
a lembrança do seu sorriso e as palavras bobas ditas,
chegam de repente, como fogo em brasa
e me dão bom dia.

Mas a lua ainda esta lá
escondida atras da luz forte do sol,
esperando o encontro do nosso olhar,
pra mais uma vez voltar a brilhar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ao tempo


Hoje o tempo me pareceu ser tão pequeno, inútil. Tentarei lhes explicar o porquê.
Senti a enorme vontade de parar, perder o ar, então prendi o fôlego igual a crianças quando brincam na água, errado deu, como antes dito, era pra perder e não prender.
Deixar de pegar, desapegar, estar livre de querer é mais parecido com poder, daqueles de super heróis com capas, máscaras e radiação, mas aí eu me lembro que isso não é desenho animado e que o carnaval só ano que vem. Continuo sem poder, apegar.
Eu quis aproveitar a lucidez assistida para reinventar a insanidade participada, eu quis dobrar as ideias, perdi o fio do pensamento, deixei o raciocínio e virei apenas instinto.
Pareceu-me atrativo morrer, deixar de ser, tudo acabaria e nada restaria em mim, mas a dúvida me impediu, e se talvez tudo ficar pela eternidade em meus pensamentos? Seria tempo de mais esperando pra acabar.
O tédio me consumiu frio e barato, e eu fiquei por horas tentando me explicar, procurando nas manias a vontade de exemplificar, metaforizar as vagas ideias que eu tinha sobre a inutilidade do tempo, não encontrei respostas.
Inútil mesmo foi ter dado atenção ao tempo que se perdeu quando se teve tempo de recomeçar.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Isso nos define, querida


Tome cuidado com o som dos soluços, e pare de bater a porta como se pretendesse ir embora, ambos sabemos que você jamais sairá daqui.

Não me olhe com esses olhos de reprovação, e nem ouse me pintar de vilão, eu posso até ser um, mas não no seu conto de fadas. Querida se eu fosse você eu teria aprendido antes de beber que jamais se deve acreditar em dias como esse, em que o sol brilha e as nuvens formam símbolos inidentificáveis.

Parece que está tudo bem, e pra mim está mesmo, no entanto, você insiste em falar das rosas, como você pretende que eu acredite em rosas que você mesmo jogou no lixo há duas semanas atrás?

Vamos ser sinceros um com outro, não existe mais sinceridade nesse cômodo, eu nem sequer conheço mais suas expressões, e você não sabe a marca do cigarro que eu estou fumando agora.

Eu pretendo sair quando anoitecer e espero que você não me procure em cada bar da cidade, e se também decidir sair, encontre alguém que fale de coisas que te interessam e seja ao menos interessante.

Acho que por hoje formamos um exato nado, e por enquanto isso é suficiente, você não concorda, querida?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Algumas ruas de arrependimento


Estranho pensar em você como uma chance passada, me sinto derrotado pelo espaço de tempo que meu inútil coração precisou pra perceber o vazio que ficou quando você me disse que estava indo embora, eu nem sequer carreguei suas malas para o carro, eu nem sequer olhei pela janela.
Eu pensei que para sempre me sentiria bem, não passava pela minha cabeça a ideia de você não estar aqui, dias depois você já não estava mesmo.
Após isso, durante os dias passados eu passei a olhar pela janela, de forma inútil eu sei, seu carro já dobrou mais de dez quarterões depois do meu, mas eu sempre fiquei por esperar que você voltasse numa manhã de domingo pra buscar aquela bermuda azul que ficou no banheiro, inútil eu sei.
É bem verdade que fui fraco pensando que estava certo, é bem verdade que você foi forte, agora eu entendo, infelizmente só agora eu entendo.
Eu não tenho o direito de chegar a pé e nu em frente a sua casa e pedir que você me note, seria loucura sua dizer que esperou por mim, e eu entendo a sua casa estar sempre fechada durante o almoço, eu entendo você estar indisponível para mim.
Eu sei que você está cansado de ouvir tanto sobre os meus sentimento, e que é somente sobre isso que eu falo entre um gole e outro de café amargo e alguns tragos de cigarro.
Eu sei que aquela serenata que perturbou seus vizinhos naquele domingo de verão foi bonitinha, mas apenas isso, nada mais que bonitinha.
A certeza maior que eu tenho é que você jamais voltará, mesmo ficando balançado por uma fração de segundo, mesmo que eu seja o grande amor da sua vida, mesmo até que grandes amores existam, você jamais voltará.
Eu fui derrotado pelas minhas escolhas e ações, meu caminho de volta pelos dez quarteirões é longo, preciso começar a andar antes que anoiteça e eu acabe por fazer companhia pra algum andarilho com uma garrafa de cachaça na mão.
Você está bem, e eu sei que ficará melhor depois que eu passar pela porta e seguir de volta a minha vida com a eterna culpa de não ter te valorizado.
São erros humanos, são perdões sofridos, são chances desperdiçadas, são arrependimentos eternos, são lições aprendidas.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Rotina de um apaixonado



Quero todo dia te fazer uma surpresa,
pode ser rosas no café,
uma massagem depois do almoço,
um pudim no lanche da tarde,
uma canção de ninar depois da janta.
Eu faço de tudo uma grande novidade
pra te ter sempre aqui.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Segunda chance


Eu pensei que no dia em que uma pessoa sem antecedentes criminais precisasse de uma chance a teria, não era só esperança, era ingenuidade de pensar que coisas boas acontecem a pessoas bondosas, e que todos tem o direito de se redimir, era fé no amor mesmo.
Mas depois eu percebi que entrei em contradição, afinal, se uma pessoa é bondosa porque ela precisaria de uma segunda chance? 
Depois de pensar mais um pouco eu encontrei a resposta, é que mesmo uma pessoa sendo bondosa ela ainda é humana, sendo assim, predisposta ao erro.
No entanto a verdadeira questão ficou, porque não ter a chance?

domingo, 7 de julho de 2013

Esqueci de esquecer


Mania de abusar dos pensamentos, mania de ficar revendo tudo na minha cabeça, parece uma musica no repeat, não paro de pensar, confabular, teorizar, planejar e martirizar, eita mania de morrer.
Pra coisas mais úteis eu não tenho memória, esqueço até o nome de amigos frequentemente, mas pra você meu bem, toda a minha capacidade de revisão sem conclusão.
Só acho que não tem necessidade de até o seu João da taberna me lembrar você, e que podia ter uma música que falasse de pudim, mas não.
É desperdício de tempo, desperdício de sentimento, desperdício de estado físico, emocional e psicológico perder tanto tempo pensando em alguém.

sábado, 6 de julho de 2013

Perfeitamente quebrável


Eu tenho a certeza de que algo quebrado nunca estará consertado,  sempre tem um remendo que só pra contrariar nossa vontade vai deixar vazar todo o conteúdo adentro.
Não importa muito o esforço, eu acredito que se não for pra você, pra mais ninguém importará, é a triste realidade dos fatos, importa bem menos pra quem deveria. 
Vale a pena tentar consertar os remendos, mas acredite que é mais pra alimentar o peso da consciência do que manter o que quebrou ainda usável. 
Sinto pena de objetos quebrados, porque um dia foram usados, tiveram sua glória e talvez por isso estejam marcados, sinto pena.
É, tem coisas que não tem conserto mesmo,  por mais que tente, insista, jamais será tudo de novo, já foi, passou.

Parei de beber


Entre todas as certezas dessa noite, uma me salta aos olhos, estou apaixonado por você. Talvez seja o sorriso, o jeito maroto ou a falta de habilidade em beber, talvez tenha sido na hora da sua chegada, durante 'get lucky', ou quando me dispensou, o fato é que em algum momento imperceptível criei a enorme vontade de cuidar de você, bobeira minha né? 
Eu sei que não é simples dizer palavras tão grandes, mas é que essa noite foi regada de inúmeras sensações, como a de ansiedade em te ver, já que essa era a intenção, nossos olhares se cruzando, o abraço interminável, e faz tanto tempo que eu não abraçava assim, sendo abraçado, o beijo roubado, e logo em seguida dado e tomado, deliciado e aproveitado pelo resto da noite. Apenas uma sensação foi ruim, sentir que não havia mais sensação entre nós dois, mas foi tão lindo e perfeito até o exato momento em que te dei as costas, porque tudo na minha vida tem um tom mais dramático que o normal, e parece até que o destino gosta disso. Eu sei que não é simples, mas depois de tantas sensações acho que posso dizer com convicção que estranho seria se eu não me apaixonasse por você.
Bom, agora você já sabe que não foi só a ressaca que me tomou hoje.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Relógio de bolso


Por que espera o tempo passar contando os minutos?
Se é tão importante assim que o tempo passe, deixe de esperar por ele,
deixe o vento carregar suas memórias cheias de lamúrias 
O tempo passa correndo quando não temos pressa de chegar.

Parece uma criança birrenta, você e o tempo.

Não existe tempo ruim quando o usamos a nosso favor,
aliás, faça-me um favor e dê um tempo.
Deixe de desculpas adiando o tempo certo de tudo,
já passou do tempo de adiar, é tempo de mudar.

você e o tempo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Meus travesseiros e suas fronhas


Há tanta vida lá fora, tantas são as formas de se sentir vivo, digo isso porque estou no meu quarto, deitado ausente de companhia, refletindo minhas vontades e suas desvantagens, por mais que eu quisesse alguém aqui agora, ainda é melhor estar sozinho. Ao invés de ter toda a vida lá de fora, eu prefiro a monomania do meu quarto, meus travesseiros e suas fronhas.
É por aqui que faço meus desejos, planejo meus sonhos, foi bem aqui que eu o idealizei e foi por aqui que o desconstrui.
Na minha própria companhia posso ser eu mesmo, carregado de sentimento, um vivente do amor ou sobrevivente dele, posso me encher de esperanças e desabar em desesperança, posso fingir ser você pra deixar de ser eu em alguns breves momentos.
A modinha de sair de casa não me atraiu, não nasci pra ser modelo de poligamia ou representante de mononucleose, fui perfeitamente educado pra reconhecer o valor de tudo e todos.
Prefiro onde estou, ser quem eu sou, o drama faz parte de mim, assim como a sede de amar e a vontade de ser diferente, sou assim, prefiro assim.

Ainda é noite?


O que aconteceria se eu não acordasse amanhã?
Apenas minhas pálpebras não abririam ou minha pele também estaria fria e pegajosa?
Acho que não seria apenas meu hálito que estaria ruim.
Eu saberia que já estava amanhecido? Ou me perguntaria eternamente as horas?
Ainda faltam 10 minutos pro despertador tocar e mais cinco minutos de soneca pra levantar.
Quanto tempo levariam pra notar que eu ainda não havia levantado?
E quem ligaria primeiro pra ambulância?
Como iriam me transportar? 
Não acho muito estético aquele saco de óbito.
Eu particularmente prefiro ser cremado, mas que vontade eu iria ter?
Será que tocariam "Por onde andei", sempre disse que essa seria a música do meu enterro.
Será que alguém estaria arrependido por pensar que teria tempo suficiente comigo?
Alguém não iria chorar?
Eu saberia o que estava acontecendo?
Eu sei o que está acontecendo?

1981 - 2013 †

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Laço de cetim



Pegue o presente e guarde, queime, jogue fora, faça o que quiser, é dado, não trocado. 
Pequena caixa de embrulho verde, nem é natal, mas meu presente já está dado, com um pequeno laço de cetim, igualzinho a mim, delicado e sentimental.
Aceite o agrado mesmo de desagrado, fiz especialmente para você, não comprei, foi matéria prima minha, das minhas mãos saíram tua pequena vaidade.

Azedume só de costume




No derradeiro tempo tomado
pelos dias impostos a serem corridos
mal se percebe o paladar de outrora
café tem gosto de sabão
quem se importa?

Desleixo também o sentimento
remexo a inutilidade pra agonizar a solidão
não me importa o gosto,
azedume só de costume,
é mais café com reflexão

Nem se faz fome pra saciar
e por nada fazer, vamos manducar
manter as faculdades sem se importar
como se fôssemos até gostar
do café sem gosto de vida que vamos tomar

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Merthiolate não arde



Recomece a vida, dê um sorriso.
Hoje um pássaro cantou no peitoril da minha janela
sua música engrandeceu os meus sentidos.
Não há mais motivos pra chorar se lágrimas já encontraram o chão,
o que ficou perdido há de ser esquecido.
É de sorrisos que todos devem lembrar, manter a calma é essencial,
olhe ao seu redor e veja quem ficou,
há mais motivos pra comemorá-los do que ignorá-los.
Se doer, e há de doer, saiba que passará
afinal nunca se viu uma criança morrer de chorar.
Recomece a vida, dê um sorriso.

domingo, 16 de junho de 2013

O quarto de Sophia


Sophia deixou sobre o criado mudo as alianças, símbolo social de mera esperança, mas ela não deixou apenas alianças sobre o criado mudo, uma taça manchada de batom e o desejo de amar ficaram para trás, Sophia abandonou sonhos e pesadelos, e os nomes gravados nas alianças sobre o criado mudo.
Enfeitavam o quarto quatro margaridas prestes a morrer, e uma pétala arrancada ao pé da mesa, mas não era só a pétala jogada ao chão, eram roupas e lágrimas, e o espaço morto debaixo da cama.
Sophia largou o controle da TV em alguma parte entre os lençóis, onde estavam também uma carta e o aroma, e a mesma Sophia que ainda não levantara.
Não havia motivos para acender a luz, assim como não havia motivos para tomar café e deixar de amar.
Sophia não fechou a porta, da mesma forma como manteve as janelas e a fé intactas, apenas uma coisa estava bem distinta e arrumada no quarto de Sophia, o vazio que ele deixara.


Antes amor


Onde um dia foi amor
encontra-se dor
vontade de esquecer
saudade de ser

O que um dia alegrou-me
desfigurou-me, roubou-me
invadiu o "Eis a questão"
marcou descompasso no chão

Desde um dia passado
antes de ontem, amanhã, quem sabe
já te enxergo anulado
carregando o peso que só a ti te cabe

Quando um dia te esquecer
saberás que por ora já te amei
suficiente para uma vida escolher
já que teu nome, por escrever deixei.

domingo, 9 de junho de 2013

Mudando de assunto


Acho que assim como o sentimento, as palavras também se desgastam
o problema é que eu ainda tenho tanto a dizer sobre você
Os poemas mais bonitos são o que falam de dor
e ainda assim eu não encontro uma música que cante meu sofrimento
Talvez eu deva deixar de escrever pra você
há tanto sobre outras coisas a serem ditas
O problema maior é que você está em tudo
sendo assim o grande protagonista.

Perfume e lembranças


Você vai e vem, mas não traz nada
deixa muito espalhado pelas gavetas
são bermudas e cuecas, perfume e lembranças

Você não sabe o mal que me faz
largando os desejos abandonados na sala de estar
e o sujo de cerveja na mesa de centro

O tempo que leva pra lavar a louça
tirar a mancha de café no lençol da cama
preparar o jantar

E pra depois ainda fica a vontade
não sabes o trabalho que dá
é difícil tirar você daqui.

Se...




Eu não sei o exato nome desse sentimento, é algo que varia entre delírio e alívio, como uma inspiração após o afogamento, enche meu peito de ar mas sufoca meu fôlego, é preciso ter quando se deve esquecer, é vicioso, tem que saber claramente o que é pra enfim deixar de ser, difícil? Você não tem ideia do quanto.
Eu nunca diria adeus, você quem começou, talvez seja até verdade que você nunca esteve aqui. Se você me ouvisse um pouco mais teria poupado o tempo perdido, mas eu não teria aprendido, certo?
Sinto falta de tudo, mas nada me convence que vale a pena sentir, então, deixar a falta me consumir até que não faça mais falta sentir falta, ainda é a melhor solução pra essa dor.
Vai, mas não volta, deixa eu fazer um drama de você e vender a dor num livro, música ou novela, deixa eu ter de você a lembrança da lágrima molhada no meu coração.
Se eu pudesse, mas não posso - isso é regalia que não me atrevo a ter. Se eu pudesse, mas não posso, eu faria você ficar, se eu pudesse...mas não posso.