Hoje o tempo me pareceu ser tão pequeno, inútil. Tentarei lhes explicar o porquê.
Senti a enorme vontade de parar, perder o ar, então prendi o fôlego igual a crianças quando brincam na água, errado deu, como antes dito, era pra perder e não prender.
Deixar de pegar, desapegar, estar livre de querer é mais parecido com poder, daqueles de super heróis com capas, máscaras e radiação, mas aí eu me lembro que isso não é desenho animado e que o carnaval só ano que vem. Continuo sem poder, apegar.
Eu quis aproveitar a lucidez assistida para reinventar a insanidade participada, eu quis dobrar as ideias, perdi o fio do pensamento, deixei o raciocínio e virei apenas instinto.
Pareceu-me atrativo morrer, deixar de ser, tudo acabaria e nada restaria em mim, mas a dúvida me impediu, e se talvez tudo ficar pela eternidade em meus pensamentos? Seria tempo de mais esperando pra acabar.
O tédio me consumiu frio e barato, e eu fiquei por horas tentando me explicar, procurando nas manias a vontade de exemplificar, metaforizar as vagas ideias que eu tinha sobre a inutilidade do tempo, não encontrei respostas.
Inútil mesmo foi ter dado atenção ao tempo que se perdeu quando se teve tempo de recomeçar.
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