sexta-feira, 28 de junho de 2013

Meus travesseiros e suas fronhas


Há tanta vida lá fora, tantas são as formas de se sentir vivo, digo isso porque estou no meu quarto, deitado ausente de companhia, refletindo minhas vontades e suas desvantagens, por mais que eu quisesse alguém aqui agora, ainda é melhor estar sozinho. Ao invés de ter toda a vida lá de fora, eu prefiro a monomania do meu quarto, meus travesseiros e suas fronhas.
É por aqui que faço meus desejos, planejo meus sonhos, foi bem aqui que eu o idealizei e foi por aqui que o desconstrui.
Na minha própria companhia posso ser eu mesmo, carregado de sentimento, um vivente do amor ou sobrevivente dele, posso me encher de esperanças e desabar em desesperança, posso fingir ser você pra deixar de ser eu em alguns breves momentos.
A modinha de sair de casa não me atraiu, não nasci pra ser modelo de poligamia ou representante de mononucleose, fui perfeitamente educado pra reconhecer o valor de tudo e todos.
Prefiro onde estou, ser quem eu sou, o drama faz parte de mim, assim como a sede de amar e a vontade de ser diferente, sou assim, prefiro assim.

Ainda é noite?


O que aconteceria se eu não acordasse amanhã?
Apenas minhas pálpebras não abririam ou minha pele também estaria fria e pegajosa?
Acho que não seria apenas meu hálito que estaria ruim.
Eu saberia que já estava amanhecido? Ou me perguntaria eternamente as horas?
Ainda faltam 10 minutos pro despertador tocar e mais cinco minutos de soneca pra levantar.
Quanto tempo levariam pra notar que eu ainda não havia levantado?
E quem ligaria primeiro pra ambulância?
Como iriam me transportar? 
Não acho muito estético aquele saco de óbito.
Eu particularmente prefiro ser cremado, mas que vontade eu iria ter?
Será que tocariam "Por onde andei", sempre disse que essa seria a música do meu enterro.
Será que alguém estaria arrependido por pensar que teria tempo suficiente comigo?
Alguém não iria chorar?
Eu saberia o que estava acontecendo?
Eu sei o que está acontecendo?

1981 - 2013 †

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Laço de cetim



Pegue o presente e guarde, queime, jogue fora, faça o que quiser, é dado, não trocado. 
Pequena caixa de embrulho verde, nem é natal, mas meu presente já está dado, com um pequeno laço de cetim, igualzinho a mim, delicado e sentimental.
Aceite o agrado mesmo de desagrado, fiz especialmente para você, não comprei, foi matéria prima minha, das minhas mãos saíram tua pequena vaidade.

Azedume só de costume




No derradeiro tempo tomado
pelos dias impostos a serem corridos
mal se percebe o paladar de outrora
café tem gosto de sabão
quem se importa?

Desleixo também o sentimento
remexo a inutilidade pra agonizar a solidão
não me importa o gosto,
azedume só de costume,
é mais café com reflexão

Nem se faz fome pra saciar
e por nada fazer, vamos manducar
manter as faculdades sem se importar
como se fôssemos até gostar
do café sem gosto de vida que vamos tomar

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Merthiolate não arde



Recomece a vida, dê um sorriso.
Hoje um pássaro cantou no peitoril da minha janela
sua música engrandeceu os meus sentidos.
Não há mais motivos pra chorar se lágrimas já encontraram o chão,
o que ficou perdido há de ser esquecido.
É de sorrisos que todos devem lembrar, manter a calma é essencial,
olhe ao seu redor e veja quem ficou,
há mais motivos pra comemorá-los do que ignorá-los.
Se doer, e há de doer, saiba que passará
afinal nunca se viu uma criança morrer de chorar.
Recomece a vida, dê um sorriso.

domingo, 16 de junho de 2013

O quarto de Sophia


Sophia deixou sobre o criado mudo as alianças, símbolo social de mera esperança, mas ela não deixou apenas alianças sobre o criado mudo, uma taça manchada de batom e o desejo de amar ficaram para trás, Sophia abandonou sonhos e pesadelos, e os nomes gravados nas alianças sobre o criado mudo.
Enfeitavam o quarto quatro margaridas prestes a morrer, e uma pétala arrancada ao pé da mesa, mas não era só a pétala jogada ao chão, eram roupas e lágrimas, e o espaço morto debaixo da cama.
Sophia largou o controle da TV em alguma parte entre os lençóis, onde estavam também uma carta e o aroma, e a mesma Sophia que ainda não levantara.
Não havia motivos para acender a luz, assim como não havia motivos para tomar café e deixar de amar.
Sophia não fechou a porta, da mesma forma como manteve as janelas e a fé intactas, apenas uma coisa estava bem distinta e arrumada no quarto de Sophia, o vazio que ele deixara.


Antes amor


Onde um dia foi amor
encontra-se dor
vontade de esquecer
saudade de ser

O que um dia alegrou-me
desfigurou-me, roubou-me
invadiu o "Eis a questão"
marcou descompasso no chão

Desde um dia passado
antes de ontem, amanhã, quem sabe
já te enxergo anulado
carregando o peso que só a ti te cabe

Quando um dia te esquecer
saberás que por ora já te amei
suficiente para uma vida escolher
já que teu nome, por escrever deixei.

domingo, 9 de junho de 2013

Mudando de assunto


Acho que assim como o sentimento, as palavras também se desgastam
o problema é que eu ainda tenho tanto a dizer sobre você
Os poemas mais bonitos são o que falam de dor
e ainda assim eu não encontro uma música que cante meu sofrimento
Talvez eu deva deixar de escrever pra você
há tanto sobre outras coisas a serem ditas
O problema maior é que você está em tudo
sendo assim o grande protagonista.

Perfume e lembranças


Você vai e vem, mas não traz nada
deixa muito espalhado pelas gavetas
são bermudas e cuecas, perfume e lembranças

Você não sabe o mal que me faz
largando os desejos abandonados na sala de estar
e o sujo de cerveja na mesa de centro

O tempo que leva pra lavar a louça
tirar a mancha de café no lençol da cama
preparar o jantar

E pra depois ainda fica a vontade
não sabes o trabalho que dá
é difícil tirar você daqui.

Se...




Eu não sei o exato nome desse sentimento, é algo que varia entre delírio e alívio, como uma inspiração após o afogamento, enche meu peito de ar mas sufoca meu fôlego, é preciso ter quando se deve esquecer, é vicioso, tem que saber claramente o que é pra enfim deixar de ser, difícil? Você não tem ideia do quanto.
Eu nunca diria adeus, você quem começou, talvez seja até verdade que você nunca esteve aqui. Se você me ouvisse um pouco mais teria poupado o tempo perdido, mas eu não teria aprendido, certo?
Sinto falta de tudo, mas nada me convence que vale a pena sentir, então, deixar a falta me consumir até que não faça mais falta sentir falta, ainda é a melhor solução pra essa dor.
Vai, mas não volta, deixa eu fazer um drama de você e vender a dor num livro, música ou novela, deixa eu ter de você a lembrança da lágrima molhada no meu coração.
Se eu pudesse, mas não posso - isso é regalia que não me atrevo a ter. Se eu pudesse, mas não posso, eu faria você ficar, se eu pudesse...mas não posso.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Desperta


Fiz uma canção de ninar pra te convencer a dormir em mim:

"vem criança adulta a pedir
meu colo em cafuné
sentindo a ar fluir
o intenso azul no céu

a noite é ligeira
mas passa devegar
lembrança de bobeira
a nos atormentar

esquece os motivos
aceita ao te entregar
os beijos  embalados
amor que eu tenho pra te dar"

Forte com pouco açucar


As vezes eu crio teorias na minha cabeça, as vezes eu penso que você poderia ter ficado.
Não, isso é só a fraqueza tentando me convencer a ser fraco, depois do café isso vai passar, mas de todos os sentimentos colhidos diariamente, apenas um não passa após o café, saudade, justo o que não tem tradução.
Faz tempo que você faz falta e hoje é um daqueles dias que começam com saudade e terminam com cerveja.

Vai ser assim


Hoje eu não sei por onde ficou aquele sentimento
talvez em frente a sua casa, aquela rosa, mera esperança
Eu não sei por onde te encontrar
Sou sua alma, eu sou você dentro de mim
Quando a brisa chega, quando a noite cai
talvez não esteja em algo perdido, apenas esquecido
para sempre...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Mês passado


É o fim de tudo e de tantas outras coisas
fim de mês e fim do fim de semana
fim de algumas contas e da carteira de cigarros
fim de noite e da xícara de café
fim da música e dos passos na pista de dança
fim da chuva e do som no telhado
fim da vida e suas esperanças
fim das manias e dos trejeitos
fim do livro e sua conclusão
fim da insistência, da desistência
é o fim de tudo e de tantas outras coisas
menos da vontade de você.

domingo, 2 de junho de 2013

Prefiro mentolado


Foi bem melhor desistir de sentir algo por você, não que eu tenho deixado de sentir, afinal, eu sinto e vou sentir por um bom tempo, mas depois que eu decidi deixar você fora da minha vida, fisicamente eu sei, mas eu decidi, as preocupações foram outras, me dediquei a dominar a saudade do dia a dia, e não em descobrir qual calor te esquentou durante a noite em que eu não estava presente.
Quando eu decidi deixar doer, eu percebi que sou forte, precisamente corajoso, me dei conta da falta que você me faz e transformei tudo em força, garra em te esquecer.
É difícil ver você em tudo, em todos, mas não existe culpado maior que nós dois, é castigo mais que merecido, pra quem brincou com o destino é pouco ter que se retirar, saber a hora de chegar e sair, se redimir.
Eu decidi abandonar nós dois, eu decidi olhar pra mim, eu decidi com que forças eu não sei, que vou ser melhor sem você, e é com essas forças que eu caminho diariamente, lutando e ganhando, algo contra mim, de mim pra você, sem você.
Eu tenho que aprender a não pedir que as pessoas, principalmente você, ocupem minhas horas vagas, você não está mais aqui e eu decidi por isso, não adianta bater de porta em porta esperando que você me convide pra entrar, você jamais pediria que eu ficasse.
Sem você eu aprendi a dar passos silenciosos, e isso não é ruim, é apenas um novo modo de caminhar, é saber pensar por onde ir sem que você esteja aqui, eu decidi seguir, eu tenho que cumprir.
Está tudo errado, eu sei, pessoas certas com outras erradas, mas nós somos apenas um exemplo do que poderia dar certo mas não deu, como tantos outros somos mais dois.
Eu vou continuar sem você, decidindo a cada dia evitar seu olhar, evitar sentir que eu fui fraco, decidir ser sem você, apenas eu.