domingo, 26 de outubro de 2014

Prometo



Prometo
que um dia voltarei a amar,
quando não fizer mais sentindo continuar
e quando encontrar teus olhos nos meus.

Prometo
que da minha boca não sairão tuas juras
e nenhum outro corpo conhecerá minha cama nua
e o desejo afogarei com o medo.

Prometo
que tu serás a mais bela ao por do sol,
e que diante a infinidade do teu sorriso, provocarei os meus instintos
para em teu silêncio retornar.

Prometo
que não edificarei castelos
e que as muralhas dos teus cabelos
não me atreverei a derrubar.

Prometo
que das minhas mãos não sairão teu gozo
para que em outros gostos
você possa se degustar.

Prometo
que o destino não chutarei
e em cada esquina te procurarei
para enfim deixar de no silêncio eu jurar te amar.

domingo, 29 de junho de 2014

Sobre alguns planos


Eu acho que a vida deveria nos vingar de vez em quando, digo, a gente passa tanto tempo tentando fazer as coisas darem certo, que de alguma forma, merecemos que o errado nos glorifique. Seja como for.

domingo, 8 de junho de 2014

Poucos centímetros


Eu não sou perfeito, 
não que você tenha pedido perfeição, 
mas se pudesse te daria o meu eu mais perfeito,
porque você merece, porque você é perfeito para mim.

Enquanto isso, deita a cabeça no meu peito.
Eu crio nossa fortaleza de realizações,
e você jamais se sentirá sozinho novamente,
porque meu sentimento seguirá ao seu lado.

E nos poucos centímetros de distancia entre nossos olhos,
nós criaremos uma saudade precipitada
e a tentativa não dita de eternizar o momento,
através do brilho de um sentimento recém sentido.

A gente segura as palavras com medo que se percam,
e dizemos pelas íris verde e castanho que estamos felizes.
Não há quem diga o contrário, basta nos olhar,
é uma nova história sendo contada.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Infinitivo


Por um tempo eu não falei a respeito das coisas que minha fraca memória se desgastam em lembrar. Talvez fosse o medo de retomar o partido de um coração aos pedaços, ou até mesmo, a frustrada tentativa de ignorar o que permaneceu.
Eu bem sei que o espaço de tempo que se apoderou de nossos corpos é suficiente pra evitar dar sentido à saudade, e depois de tanto querer e nada poder é vergonhoso ansiar por algo a mais.
Talvez doa mais em mim te perdoar, é libertar, dar asas pra voar. Finalmente pontuar o fim é a forma mais triste de finalizar, sem deixar fiapos. Todos os nós estarão atados, e nenhuma forma de retroceder poderá ser ateada.
Então eu deixo em aberto o verbo no infinitivo. Amar, doar, sofrer, lutar, olvidar.
Uma vez que ao seu lado, eles jamais serão conjugados.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Um pouco mais fundo, bem mais vivo


É que tudo pareceu um grande vendaval, e eu fiquei tonto, entorpecido, anestesiado. O chão era água, gelou os vasos e inundou o cômodo, a pele queimou com o gelo e virou fumaça branca e opaca, logo tudo empestou e o branco mostrava as inúmeras cores passando despercebidas, sentindo inveja por serem esquecidas. 
Eu estava morto, fisicamente respirando e inspirando, peito a cima e peito a baixo, enchendo e esvaindo, aquecendo os pelos do nariz, mas eu estava morto, mentalmente pensante, atento. E eu estava morto, jogado no interior de um abismo porque assim desejava estar e assim permaneci até que desfalecer só me restasse, até que tudo fosse passado e o presente acabasse como começou, com a imensa vontade de morrer.
A morte, no entanto, me trouxe a vida, e as cores esquecidas pintaram um novo céu, verde-claro. Precisamos, em alguns momentos, ir mais fundo do que o fundo do poço, porque sabemos voltar, só precisamos acreditar.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Devaneio de racionalidade


A droga do sentimento lava a alma, torce e enxuga, como roupa suja, como alma escura, como dor e alívio.
Sinto breves momentos de desejo em permanecer imundo, inerte em meio a bagunça desse vazio, mas a podridão fede e a ignorância também. E talvez eu pudesse me acostumar com a imundice da vida, com as frustrações da juventude, com o coração desvirginado, no entanto, de que vale a pena viver quando se quer tão pouco pra aprender?
Não existe um só gole de essência que te digas a hora exata de parar, e tão louco quanto eu, seja a procura pela pausa da vida.
Dor é algo simbólico, aprendemos a sentir dor porque precisamos de um devaneio de racionalidade, mas não se existe apenas em função disso, apesar de ser constantemente física, mesmo que seja abstrata, a dor passa.