É que tudo pareceu um grande vendaval, e eu fiquei tonto, entorpecido, anestesiado. O chão era água, gelou os vasos e inundou o cômodo, a pele queimou com o gelo e virou fumaça branca e opaca, logo tudo empestou e o branco mostrava as inúmeras cores passando despercebidas, sentindo inveja por serem esquecidas.
Eu estava morto, fisicamente respirando e inspirando, peito a cima e peito a baixo, enchendo e esvaindo, aquecendo os pelos do nariz, mas eu estava morto, mentalmente pensante, atento. E eu estava morto, jogado no interior de um abismo porque assim desejava estar e assim permaneci até que desfalecer só me restasse, até que tudo fosse passado e o presente acabasse como começou, com a imensa vontade de morrer.
A morte, no entanto, me trouxe a vida, e as cores esquecidas pintaram um novo céu, verde-claro. Precisamos, em alguns momentos, ir mais fundo do que o fundo do poço, porque sabemos voltar, só precisamos acreditar.

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