Tão fria a noite, luzes apagadas, momentos de reflexão. Não se sabe
ao certo onde se ficou, sente saudade do passado mostrado pela janela,
porém, tem medo de voltar e descobrir que o que passou, passou. Quando
se pergunta se está bem, pensa bem na resposta, tem medo de mentir ou
omitir, mas continua seguindo em frente, afinal não há aonde ir.
Se sente diferente, impotente, se vê menos jovem, mas o adulto se
recusa a chegar e se assumir, recorda o dia e procura o sorriso, só o
encontra quando se encontram, ele e os outros com as mesmas dúvidas, os
poucos sorrisos.
O tempo não perdoo, muito pelo contrário se vingou, o fez ter o que
sempre quis por um preço muito caro, amor por amor é como se paga, é
como se apaga.
Sente saudade do que passou, mas sabe que sentirá falta do que tem e
sabe que se voltar vai lembrar de dias atuais, não havia como prever,
não havia como saber, se não soube freiar sabia que aceleraria ou
pararia de vez.
No fim nada está errado, não há do que se orgulhar, no entanto, não
há do que se envergonhar, é assim que funciona, a espera foi árdua, só
não sabia que ela não acabaria.
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