terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu, minhas lágrimas e nossa bagunça


Você se foi, seus passos deixaram sombra pela porta aberta, ainda posso sentir seu perfume pelo corredor e sua imagem ainda reflete nítida no espelho, me olhando com olhos de reprovação, de decepção. Eu ainda não entendi o que aconteceu por aqui, no meio da bagunça do nosso quarto, agora meu quarto, mesmo que a bagunça ainda seja por parte sua, ainda que suas roupas estejam espalhadas ao redor da cama e a televisão esteja sintonizada no seu canal favorito, é um lugar só meu agora, com minhas lembranças e minhas esperanças. Não sei exatamente por onde começar a entender os motivos das nossas brigas, o momento exato em que você me viu como uma ameaça, eu não sei, não consigo pensar e só sei chorar, me faço de água salgada moldada na minha pele, caindo ao travesseiro.
E eu já sinto a sua falta, e faz apenas cinco minutos que você passou pela porta, mas eu já sinto vontade de te ligar e perguntar que horas você vai chegar, mesmo sabendo que por hoje a noite você não vai voltar, que eu vou ter que me virar nessa bagunça, vou ter que tomar o problema pra mim e passar a noite conversando com ele. Faz apenas cinco minutos que você se foi, mas pra mim parece que você nunca esteve aqui e que tudo foi uma grande ilusão.
O que eu faço com a dor? Eu apenas a sinto e deixo que ela me faça dormir? Eu não gosto da ideia de você não estar aqui pra me fazer dormir, eu não posso continuar sem você, eu não sei como fazer disso uma vida, não sem você, não é uma vida.
Eu deixei a porta aberta pra você não precisar bater quando chegar, eu passarei a noite sentado esperando você chegar, eu, minhas lágrimas e nossa bagunça.

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