terça-feira, 21 de maio de 2013

Clima europeu


Mais uma vez me sento em frente a lareira para refletir, quando olho pela janela percebo que a lua foi embora e levou consigo meus espelhos de meditação. Uma taça de um bom vinho me faz compania e embriaga as náuseas de uma solidão, mas de um jeito bom, você ao menos ficou nos retratos.
É inverno lá fora e a neve não me deixa sair, o clima europeu me faz chorar sem consolação, mas não tem problema, com o tempo eu me acostumei com o molhar das lágrimas, pode demorar, mas elas sempre voltam ao chão.
Sinto o frio beber cada gota do meu gélido singular, os poros me arrepiam a alma e eu apenas queria me aquecer no seu simples ato de respirar. Quando penso em tuas digitais manchando toda extensão do meu corpo eu me preparo pra mais um devaneio, mas uma chance de me ter envolto em teus braços.
Enquanto a noite avança e a garrafa de vinho seca, o fogo da lareira acaba, de forma simples e tendenciosa, me obrigando a me entregar ao escuro dos meus sentimentos, a mais estúpida ideia de me embebedar de esperanças, ainda tomando pra mim o frio que faz lá fora e que aos poucos invade meu interior.
Eu não sei em que momento meus olhos se fecharam jogados no meio daquela sala escura e fria, talvez quando o vinho secou dos meus lábios e a garganta se fez seca das minhas vontades, nesse momento, exatamente nesse momento eu acredito ter adormecido no seu peito, como uma canção de ninar, um pesadelo vivo.

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