quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os estranhos íntimos



E nós estamos no mesmo cômodo pequeno, um quarto com suas paredes brancas e tinta descascada, opaca, insensível.
Ao mesmo tempo que ele está ao meu lado, eu o sinto em outro lugar, em outros braços, e eu acabo sendo um objeto de decoração do mesmo quarto opaco e insensível, algo que o faça lembrar que soube seguir seu caminho.
Eu tento falar, mas não encontro palavras que nos faça deixar de sermos dois estranhos, íntimos.
De repente ouço um suspiro, que sei que não foi meu, um suspiro de amor, mas não meu amor, não para o meu amor.
O quarto opaco me deixa mais estranho, menos íntimo, e cada vez mais longe de seus suspiros.
Doi, mas eu viro para o outro lado e engulo o seco, não em seco e sim o seco, e ele desce travando, amargando e mais uma vez me lembrando de que sou um estranho, pouco íntimo.
Eu só peço que amanheça e que o laranja invada as paredes brancas e opacas, poderei sair na surdina, na ponta dos pés, a francesa, e olhar seu rosto adormecido nada inocente e muito frágil, passar pela porta e seguir como um estranho, um ex íntimo.

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